
A Unesco anunciou, nesta quinta-feira, que realizará uma campanha de coleta de DNA ambiental (eDNA) em 30 áreas marinhas protegidas ao redor do mundo, com o objetivo de monitorar espécies afetadas pelo aquecimento global. O eDNA — ou seja, o material genético deixado por organismos vivos em seu ambiente — pode ser coletado diretamente “na coluna d’água”, explicou, durante uma coletiva de imprensa, Saara Suominen, responsável científica por dados genéticos da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Unesco.
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“A partir de apenas um litro de água filtrada, conseguimos identificar, em média, uma centena de espécies”, acrescentou. “E não há limite quanto ao tipo de espécies que podemos detectar. Todos os organismos deixam rastros, desde bactérias até baleias.”
Em expedições anteriores, como no atol de Aldabra, nas Ilhas Seychelles, poucos litros de água permitiram catalogar 800 espécies, incluindo treze tipos de tubarões e raias, segundo Ward Appeltans, responsável pelo Sistema de Informações sobre Biodiversidade Oceânica da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
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O objetivo do projeto “Expedições eDNA” é coletar 3.000 amostras de água do mar até 2028. A iniciativa baseia-se, em particular, em coletas realizadas por comunidades locais que buscam responder a questões sobre a evolução de seu próprio ambiente.
“Pode tratar-se da detecção precoce de espécies invasoras, do estabelecimento de dados de referência sobre a biodiversidade, da busca por espécies crípticas ou ameaçadas, e muito mais”, enumerou Suominen.
Também serão realizadas coletas em locais remotos e de difícil acesso para os cientistas. No fiorde de Ilulissat, um local declarado Patrimônio Mundial da Unesco no oeste da Groenlândia — e de difícil navegação devido aos icebergs —, as águas estão esquentando e “os pescadores locais já relataram mudanças nas espécies”, observou Tales Carvalho Resende, do Programa de Patrimônio Mundial Marinho da Unesco.
“Estão aparecendo peixes e baleias em áreas onde raramente eram vistos, ou onde nunca tinham sido vistos antes. Por isso, o DNA ambiental pode, de fato, nos ajudar a identificar quais espécies estão presentes nessas águas atualmente, incluindo aquelas que podem estar ampliando sua área de distribuição à medida que a temperatura aumenta”, acrescentou. Tudo isso, “com apenas alguns litros de água do mar”, destacou.



