
Antes da crucial eleição israelense desta terça-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tentou, durante semanas, orquestrar um novo ataque aéreo contra o Irã, mas encontrou resistência por parte do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, de acordo com três altos funcionários da defesa israelense e outras três pessoas informadas sobre o assunto.
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Nos últimos dias, o chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, passou a se preocupar com o fato de Netanyahu estar pressionando por uma ação separada contra o Irã, que não chegasse a ser um ataque declarado, segundo um oficial israelense e uma pessoa a par do assunto, nenhum dos quais descreveu a natureza dessa ação. O general Zamir acreditava que isso seria um erro de cálculo que poderia provocar um ataque do Irã contra Israel.
Os porta-vozes de Netanyahu não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
Os funcionários israelenses e as pessoas informadas sobre as deliberações falaram sob condição de anonimato, pois não estavam autorizados a falar publicamente.
A justificativa de Netanyahu para insistir em um ataque ao Irã antes da eleição não ficou clara, mas um retorno à guerra poderia ter potencialmente interrompido ou mesmo atrasado a votação.
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As tensões nos bastidores sobre um possível ataque israelense ou outra ação contra o Irã surgem em um momento em que Netanyahu vem retratando publicamente a importância da eleição em termos cada vez mais apocalípticos. No fim de semana, ele publicou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial de uma nuvem em forma de cogumelo sobre Tel Aviv e alertou, em uma aparição na televisão, que a votação decidiria “a existência de Israel”.
Os apelos aos medos dos israelenses visam levar os eleitores a enxergarem o conflito com o Irã como a questão mais urgente e a confiarem a ele a continuidade da liderança na luta contra o principal adversário regional de Israel.
Quando Netanyahu pressionou para acirrar o conflito com o Irã, o general Zamir levantou uma série de objeções e preocupações e, por fim, concluiu que não havia necessidade imediata ou urgente de ação, disseram as autoridades e pessoas informadas sobre o assunto.
Uma decisão desse chefe militar tem um peso especial: pode dificultar a apresentação da medida como uma necessidade militar.
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Embora o general Zamir não se opusesse, em princípio, a tomar medidas contra o Irã, ele se opôs a fazê-lo antes das eleições, segundo um oficial israelense e duas pessoas a par do assunto. O general Zamir e o comandante da Força Aérea Israelense, major-general Omer Tischler, citaram as sensibilidades políticas e a dificuldade de explicar ao público por que isso teria que ocorrer naquele momento, de acordo com dois altos funcionários da defesa israelense.
Em comunicado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que suas decisões operacionais se baseiam estritamente em “considerações de segurança”, bem como em “sua responsabilidade como instituição nacional”.
As preocupações sobre as motivações políticas de um ataque ao Irã não se dissipam nesta terça-feira. De acordo com três altos funcionários da defesa israelense e duas pessoas a par do assunto, uma retomada dos combates com o Irã nas semanas seguintes à eleição também poderia ter um grande impacto.
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Caso os oponentes de Netanyahu vençam as eleições, provavelmente terão a oportunidade de formar o novo governo, mas um retorno à guerra poderia dificultar ou mesmo impedir sua capacidade de formar uma coalizão governista dentro do prazo legal. A retomada dos combates também poderia gerar pressão política para a formação de um governo de unidade nacional que inclua Netanyahu.
Notícias sobre um desentendimento entre Netanyahu e os militares a respeito de um possível ataque, divulgadas inicialmente pelo Canal 12 de Israel, provocaram indignação no país. Um dos rivais de Netanyahu, Avigdor Liberman, exigiu nesta segunda-feira que o procurador-geral abrisse uma investigação para apurar se o primeiro-ministro havia cometido traição.
“A tentativa de arrastar Israel para uma guerra às vésperas das eleições, incluindo o sacrifício de soldados israelenses, apenas por medo de perder as eleições, é uma traição à nação”, escreveu Liberman, ministro da Defesa e ministro das Relações Exteriores em governos anteriores de Netanyahu, em uma queixa formal.
Netanyahu, de 77 anos, luta para manter-se no poder diante da oposição liderada por Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.



