
Ondas de calor, alterações de humor e insônia costumam estar entre os sintomas mais associados à menopausa. A pele, porém, também passa por mudanças nessa fase, embora nem sempre apareça nas conversas sobre a transição hormonal. Com a redução do estrogênio, a produção de colágeno diminui, a capacidade de retenção de água é afetada e a barreira cutânea pode ficar mais vulnerável.
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“O estrogênio estimula a produção de colágeno, contribui para a espessura e a elasticidade da pele e favorece a hidratação. Quando seus níveis diminuem, essas funções também são afetadas”, explica a dermatologista Juliana Piquet, da Clínica Piquet, no Leblon.
O processo se soma ao envelhecimento natural e aos efeitos acumulados da exposição solar. Por isso, algumas mulheres percebem a pele mais seca, fina e menos firme durante a menopausa.
A queda de colágeno acelera
Nos primeiros cinco anos após a menopausa, estima-se uma redução de cerca de 30% do colágeno da pele. Depois desse período, a perda tende a continuar em um ritmo mais lento, de aproximadamente 2% ao ano. Os números, no entanto, são estimativas e podem variar de uma mulher para outra.
Segundo Juliana, parte dessas alterações pode ser amenizada com tratamentos que estimulam a produção de colágeno e melhoram a qualidade da pele. Entre as opções estão retinoides tópicos, bioestimuladores, laser, radiofrequência e ultrassom microfocado. A indicação depende das características e das necessidades de cada paciente.
Por que a pele fica mais seca?
A sensação de ressecamento não está relacionada apenas à falta de hidratação na rotina. Com a mudança hormonal, a pele pode ter mais dificuldade para reter água e preservar sua barreira de proteção. Por isso, produtos que antes funcionavam bem podem deixar de ser suficientes.
Nessa fase, a dermatologista recomenda rever os cuidados e combinar ativos com funções diferentes. Ingredientes como ácido hialurônico e glicerina ajudam na atração de água, enquanto as ceramidas contribuem para a manutenção da barreira cutânea.
A atenção à esfoliação e ao uso de ácidos também deve aumentar, principalmente quando a pele estiver sensibilizada. O excesso desses produtos pode agravar o ressecamento e o desconforto.
Flacidez e mudanças no contorno do rosto
A transformação não acontece apenas na superfície. A redução do colágeno, associada a alterações na distribuição da gordura e na estrutura óssea do rosto ao longo do envelhecimento, pode modificar o contorno facial. A mandíbula tende a perder definição e alguns sulcos podem ficar mais marcados.
Antes de indicar qualquer procedimento, Juliana avalia o que está causando a mudança observada. Em alguns casos, a prioridade pode ser melhorar a qualidade da pele; em outros, estimular colágeno, tratar a flacidez ou, pontualmente, repor volume.
A proposta, segundo a dermatologista, é considerar as características individuais de cada rosto, sem buscar uma transformação padronizada.
Acne pode voltar na menopausa
O surgimento de espinhas também pode surpreender mulheres que passaram anos sem lidar com acne. Uma das razões é a mudança na relação entre os hormônios: o estrogênio diminui mais rapidamente, enquanto os andrógenos não sofrem a mesma queda, o que pode favorecer manifestações relacionadas à oleosidade.
O tratamento exige cuidado porque essa mesma pele pode estar mais seca e sensível. Produtos muito agressivos, comuns nos cuidados contra a acne na adolescência, podem piorar a irritação nessa fase.
E o cabelo?
As alterações hormonais também podem afetar os cabelos. Algumas mulheres percebem fios mais finos, redução do volume ou maior evidência da risca central. Também podem surgir pelos mais grossos em regiões como o queixo.
A queda, porém, não deve ser automaticamente atribuída à menopausa. Antes de estabelecer uma relação com a mudança hormonal, a dermatologista recomenda investigar outras possibilidades, como deficiências nutricionais e alterações da tireoide.
Reposição hormonal ajuda a pele?
A terapia hormonal pode produzir efeitos sobre a espessura e o colágeno da pele, mas isso não significa que deva ser indicada com o objetivo exclusivo de preservar a aparência.
“Não devemos transformar a reposição hormonal em tratamento antienvelhecimento ou prescrevê-la exclusivamente para melhorar a aparência da pele”, diz Juliana.
A indicação deve considerar os sintomas e as condições de saúde de cada mulher. Eventuais benefícios dermatológicos entram como consequência do tratamento, e não como sua finalidade principal.
Como adaptar a rotina?
Não é preciso esperar as mudanças ficarem evidentes para rever os cuidados. A recomendação é manter a fotoproteção diária e ajustar os produtos conforme a pele se torna mais seca ou sensível. A avaliação dermatológica também pode ajudar a identificar quais alterações estão relacionadas à menopausa e quais têm outras causas. “A menopausa é uma transição fisiológica, não uma doença”, resume Juliana.



