
O porta-voz da coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita, general Turki al-Malki, informou que mísseis e drones lançados pelos houthis contra o reino petroleiro foram interceptados na madrugada desta segunda (12).
O aeroporto da capital Riad, que permaneceu fechado ontem, prolongou sua suspensão por 24 horas — até 0h de terça, segundo o site de monitoramento de voos Flightradar24. Um ataque a ele no domingo deixou pelo menos um morto — um cidadão paquistanês — e 11 feridos, segundo a Autoridade Saudita de Aviação Civil.
Os combatentes houthis do Iêmen reivindicaram, ainda no domingo (11), “quatro operações de grande envergadura” contra os aeroportos e infraestruturas energéticas da Arábia Saudita, que deixaram um saldo de mais de 20 mortos no fim de semana.
Eles teriam utilizado “mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones” nos lançamentos. O intuito era tornar o Aeroporto Internacional de Riad alvo de uma ofensiva em “três fases”, iniciada ainda na noite de sexta.
No sábado, um ataque aos terminais deixou 13 mortos e 309 feridos, segundo um balanço preliminar, e causou a suspensão dos voos até segunda ordem, informou uma fonte do setor aéreo local à AFP. Estas são as maiores ofensivas houthis contra a Arábia Saudita desde que o reino criou, em 2015, uma coalizão para apoiar as forças governamentais do Iêmen, que entraram em guerra contra os houthis pró-Irã um ano antes.
A aviação civil saudita, assim como a Embaixada dos EUA, reportaram também um ataque contra o aeroporto de Damman. Os rebeldes xiitas já haviam alertado para o risco de uso do espaço aéreo saudita ou seus aeroportos, exceto nas cidades santas de Meca e Medina.
Os terminais da capital já haviam sido atacados na quarta e quinta, com seis mortos. Um morador de Riad e vizinho do aeroporto, de 32 anos, falou anonimamente à AFP sobre o ataque de sábado. Ele descreveu ter escutado “um barulho muito forte” no aeroporto e que os viajantes “começaram a correr”.
“Alguns tinham o rosto coberto de sangue”, enquanto outros “haviam perdido uma mão ou um braço” ou corriam “carregando feridos cobertos de sangue”, relatou.
O presidente americano Donald Trump considerou o ataque “inaceitável” e prometeu analisar rapidamente a possibilidade de que os EUA entrassem no conflito e realizassem operações militares contra os houthis — um pedido já feito anteriormente pelo príncipe saudita Mohammed bin Salman.
Os ataques contra Riad aumentaram a pressão sobre o príncipe-herdeiro para encontrar uma solução para o conflito, já que os combates ameaçam seus planos de transformar o país em um polo de negócios e turismo. A capital saudita deve sediar vários eventos internacionais nas próximas semanas, incluindo uma cúpula anual de investimentos organizada pelo príncipe, que costuma reunir líderes mundiais, bilionários e altos executivos de empresas globais.
Diversas embaixadas estrangeiras recomendaram a seus empregados evitar o aeroporto de Riad durante a semana, afirmou ainda um diplomata ocidental à AFP.
Empresas do centro de negócios da capital também decretaram trabalho remoto no domingo, relataram funcionários, enquanto as escolas da cidade também instituíram aulas à distância durante uma semana.


