
O aumento do ICMS sobre a gasolina, o diesel e o gás de cozinha partir de fevereiro de 2027, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) nesta semana, virou uma nova frente de batalhas narrativas nas redes sociais, opondo sobretudo integrantes do governo Lula (PT) e parlamentares aliados de um lado, e políticos aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do outro.
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O reajuste foi aprovado por todos os estados, e o maior aumento será no diesel, com alta de 11,1%, seguido pelo gás de cozinha, com 4,8%, e pela gasolina, com 4,5%. As novas alíquotas foram oficializadas em convênios na última quarta-feira (28), três dias após o segundo turno.
Mas, nas redes, foi o governador de São Paulo quem passou a ser mais atrelado ao aumento tributário nas redes sociais por aliados de Lula. Neste domingo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), publicou um vídeo centralizando em Tarcísio as críticas pelo aumento do imposto, no qual diz que “enquanto o governo Lula está fazendo um esforço gigantesco para segurar o preço do diesel, o Tarcísio está aumentando imposto”. Parlamentares paulistas do PSOL e do PT também fizeram críticas na mesma linha.
— Passadas as eleições, as máscaras caem. Vocês viram que os bolsonaristas passaram a eleição inteira dizendo que a esquerda aumenta imposto, olha o que está acontecendo agora com o diesel. (…) Enquanto o governo Lula está fazendo um esforço gigantesco de bilhões e bilhões para segurar o preço do diesel, sabe quem é que está aumentando imposto e prejudicando isso? O Tarcísio, gente. O governador de São Paulo decidiu aumentar em mais de 1% o imposto estadual sobre o óleo diesel. Enquanto o Lula está segurando o preço do diesel, o Tarcísio está aumentando imposto. Não dá para ter um discurso na eleição e a prática ser outra, né, Tarcísio? — disse Boulos no vídeo.
O governador, por sua vez, divulgou uma nota rebatendo as críticas do ministro, a quem acusou de usar “informações distorcidas para fazer ataques políticos”, e falou que o Confaz, que aprovou o aumento, reúne os 26 estados e o Distrito Federal, e que o reajuste dos convênios foi aprovado por unanimidade “inclusive pelos estados governados pelo PT”, e citou locais como Piauí, Ceará e Bahia.
“É lamentável que um ministro de estado distorça os fatos para fazer ataques políticos. Quem ocupa um cargo dessa importância deveria esclarecer a população, não espalhar desinformação. Vale lembrar que, enquanto São Paulo manteve sua alíquota modal de ICMS nos últimos quatro anos, estados governados pelo PT elevaram as suas. No Piauí, a alíquota chegou a 22,5%; na Bahia, a 20,5%; e no Ceará, a 20%. Em São Paulo, seguimos outro caminho. Mantivemos a alíquota modal em 18%, uma das menores do país, ampliamos isenções de ICMS sobre produtos alimentícios e zeramos o IPVA para motos de até 180 cilindradas”, afirmou Tarcísio na nota.
Boulos então rebateu a nota na noite deste domingo, dizendo que o fato do Confaz ter aumentado os tributos com a concordância de outros governadores “não muda nada em relação à incoerência de Tarcísio com seu discurso de campanha”.
“Passou meses atacando Lula a respeito de impostos. E três dias depois da eleição, se posicionou a favor do aumento do ICMS no Confaz. Está claro quem está alimentando a desinformação. Pior do que isso, agindo com hipocrisia e oportunismo político. Assuma a responsabilidade de suas posições, Tarcísio”, escreveu o ministro no X.
Nas redes, batalha de narrativas
A discussão sobre o ICMS vem na esteira de uma batalha nas redes sociais envolvendo Tarcísio que já vinha ocorrendo durante toda a semana, desde que Flávio Bolsonaro (PL) foi derrotado na disputa ao Palácio do Planalto e não aceitou o resultado das urnas. Tarcísio, por sua vez, disse que “a eleição passou” e se posicionou de maneira contrária, reconhecendo a vitória de Lula.
O governador vem sendo atacado por bolsonaristas tanto pela discordância com o senador, quanto por ter admitido a possibilidade de concorrer à presidência da República em 2030, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo três dias após o pleito. O governador silenciou diante das críticas, e não fez agendas públicas nesta semana, mas contou com um exército de aliados para defendê-lo: parlamentares federais e estaduais, secretários e ex-secretários de partidos como o PL e Republicanos fizeram publicações testemunhando sobre a “lealdade” de Tarcísio à família Bolsonaro e ponderando que eventuais discordâncias não significariam traição.
O presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira, foi um deles. Em publicação em seus perfis do X e do Instagram, disse que Tarcísio “é uma grande liderança e já comprovou que é leal ao ex-presidente Jair Bolsonaro”, e pregou união da direita. O senador eleito André do Prado (PL) também fez vídeo semelhante, e mais de uma dezena de aliados se posicionaram na mesma linha, e as publicações foram compartilhadas pelo governador.
Neste domingo, após o vídeo de Boulos, houve um novo movimento de correligionários de Tarcísio para defendê-lo. Em vídeos também republicados pelo chefe do Palácio dos Bandeirantes, os deputados estaduais Tomé Abduch (PL) e Danilo Campetti (Republicanos) rebateram o ministro de Lula, afirmando que “todos os estados aprovaram o novo valor do ICMS”, incluindo estados administrados pelo Partido dos Trabalhadores.



