
Os principais candidatos ao governo do Rio de Janeiro e de São Paulo participaram, nesta terça-feira, dos debates realizados pela TV Globo. O desempenho de cada um deles foi avaliado pelos colunistas do GLOBO. Em São Paulo, não houve vencedor. No Rio, que teve a atuação mais destacada foi o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD).
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Paes recebeu uma nota 3,3 em uma escala que vai de 1 a 5. William Siri (PSOL) conquistou o segundo lugar, com nota 2,5. O pior desempenhou foi de André Marinho (Novo), que ficou com 1,3. Quanto maior o número atribuído pelo jornalista, melhor foi a atuação de cada um na busca pelo voto.
Veja as notas abaixo:
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Veja a posição de cada colunista do GLOBO:
LAURO JARDIM
André Marinho (Novo): Entrou no debate pela caneta de Nunes Marques, mas sua presença não fez diferença. Nota 1
Douglas Ruas (PL): É patente sua dificuldade em lidar com as ligações que possui com Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar. Usou boa parte do seu tempo confrontando Paes. Sobraram alguns cortes que inundarão suas redes sociais. Nota 2
Eduardo Paes (PSD): Conseguiu em quase todo o debate falar de suas propostas e de suas realizações como gestor. Seu constrangimento em ser apontado como “candidato do Lula”, no entanto, salta aos olhos. Apesar de ser o líder nas pesquisas, apanhou pouco. Nota 4
Garotinho (Republicanos): Atuou como o showman do debate, com boa presença de palco e boas tiradas humorísticas. Mas não é um candidato que, por seu currículo, deva ser levado a sério. Nota 1
William Siri (PSOL): Único candidato de esquerda, marcou presença com uma postura de ataque constante a Ruas e Flávio Bolsonaro. Nota 3
BERNARDO MELLO FRANCO
André Marinho (Novo): Convidado de última hora, entrou no debate como candidato sem voto e saiu como comediante sem graça. Nota 1
Douglas Ruas (PL): Bem treinado, recitou as frases feitas que repete desde o início da campanha e cumpriu o roteiro de se colar a Flávio Bolsonaro. Não foi convincente ao tentar renegar o ex-chefe Cláudio Castro. Nota 2
Eduardo Paes (PSD): À frente nas pesquisas, jogou na retranca para evitar riscos. Investiu em tabelinhas com nanicos e mostrou ter feito o dever de casa: decorou características de municípios e nomes de prefeitos do interior. Nota 2
Garotinho (Republicanos): Mais desenvolto que os rivais, pareceu se divertir ao citar a lista do Adilsinho, bater no ombro de Siri, mandar beijo para Rosinha e lembrar as vigas da Perimetral. Não deve ir ao segundo turno, mas garantiu o entretenimento da noite. Nota 3
William Siri (PSOL): Azarão, usou o debate para defender Lula e atacar a extrema direita. Cresceu no fim ao usar a credencial de morador da Zona Oeste para tratorar o candidato do Novo. Nota 2
MERVAL PEREIRA
André Marinho (Novo): Entrou através de ação judicial e não apresentou nenhuma ideia nova. Nota 2
Douglas Ruas (PL): Não conseguiu se livrar das ligações com políticos presos por atuarem com milícias e facções criminosas. Fez acusações contra Eduardo Paes, mas não parecem capazes de derrubar o favoritismo do ex-prefeito. Nota 3
Eduardo Paes (PSD): Foi favorecido pelos ataques variados de outros candidatos a Ruas. Postou-se como um político experiente diante de um político ligado aos grupos que já dominam o Estado, com resultados negativos. Nota 4
Garotinho (Republicanos): Destacou-se fazendo acusações contra todos, especialmente Ruas e Paes. Sem importância, sua candidatura será invalidada. Nota 2
William Siri (PSOL): Foi o melhor dos candidatos nanicos. Teve boa movimentação de cena, criticou muitos adversários, poupou Paes. Nota 3
THOMAS TRAUMANN
André Marinho (Novo): Justificou porque aparece com zero nas pesquisas. Nota 1
Douglas Ruas (PL): Apanhou de Paes, Garotinho e Siri por ter sido secretário de Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar. Saiu com uma resposta torta (“eram relações de trabalho”) e teve seu melhor momento só depois da meia-noite defendendo os autistas. Nota 2
Eduardo Paes (PSD): Entrou na defensiva com a única intenção de reforçar a ligação de Douglas Ruas com Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar. Conseguiu, mas ficou sem responder se teve contato com Bacellar depois de preso. Nota 3
Garotinho (Republicanos): Ignorado pelos dois principais candidatos, teve boas tiradas, distribuiu insinuações, mas não ganhou um voto. Acabou sendo chamado de “Léo Dias” da política brasileira. Nota 2
William Siri (PSOL): Inseguro no inicio, fez dobradinhas com Paes e teve bom momento no embate com André Marinho. Nota 2
Desempenho em São Paulo
Em São Paulo, o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, e Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda do governo Lula, fizeram um debate equilibrado. A avaliação é dos colunistas do GLOBO Vera Magalhães, Pablo Ortellado, Bela Megale e Fabio Graner.
O duelo entre os dois candidatos foi marcado pelo uso intenso do “economês”, debate fiscal e uma batalha de números. Os dois terminaram o debate empatados com média de 3,8 em uma escala que vai de 1 a 5. Quanto maior o número atribuído pelo jornalista, melhor foi a atuação de cada um na busca pelo voto.
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Veja a posição de cada colunista do GLOBO:
VERA MAGALHÃES
Tarcísio de Freitas: O governador de São Paulo tem os dados de seu governo na ponta da língua e às vezes soa enfadonho, mas é um tipo de figurino que o paulista adora: técnico e comprometido. Só superficialmente defendeu os Bolsonaro pai e filho. Nota 4
Fernando Haddad: Diante da distância nas pesquisas, o candidato do PT fez aquilo que era a razão da sua candidatura: comparar os governos Lula e Bolsonaro e tentar sensibilizar o eleitor paulista para a eleição nacional e os riscos de negacionismo e ataques à democracia. Nota 4
PABLO ORTELLADO
Tarcísio de Freitas: Tarcísio defendeu o legado de seu governo e demonstrou conhecer as políticas públicas sob seu controle. Foi confiante e técnico, mas talvez o eleitor não tenha entendido suas prioridades e sua identidade política. Nota 3
Fernando Haddad: Em quase todos os assuntos, Haddad enfatizou o papel do governo federal, lembrando ao eleitor que está ali fundamentalmente para dar palco para Lula no estado de São Paulo. Foi técnico como Tarcísio, mas mais reativo. Nota 3
BELA MEGALE
Tarcísio de Freitas: Com dados na ponta da língua e uma situação confortável nas pesquisas, Tarcísio respondeu aos questionamentos de Haddad com tranquilidade. Fez críticas incisivas ao petista, mas sem ataques abaixo da linha da cintura. Trouxe o debate para questões estaduais e defendeu bem as políticas de seu mandato. Nota 4
Fernando Haddad: O candidato nacionalizou boa parte do debate e cumpriu bem o papel de mostrar feitos do governo Lula e apoio ao estado de São Paulo, especialmente via PAC. Encerrou o debate listando acusações que pesam sobre Flávio Bolsonaro e defendendo a reeleição de Lula. Criticou pontos certeiros da gestão Tarcísio, especialmente na educação e segurança pública, mas de maneira respeitosa e com propostas consistentes. Nota 4
FABIO GRANER
Tarcísio de Freitas: Consegue vender o personagem de gestor para o eleitor paulista ao mostrar conhecer os programas de seu governo. Começou o debate dominante, mas perdeu terreno com Haddad mais afiado nos blocos seguintes. Com liderança folgada nas pesquisas, conseguiu evitar danos definitivos. Nota 4
Fernando Haddad: Começou meio apático e sem inspiração, mas a partir do segundo bloco ganhou tração e conseguiu gerar momentos mais difíceis para Tarcísio, especialmente nos temas das renúncias fiscais e da Sabesp. Aproveitou melhor as considerações finais para reforçar seu papel na eleição nacional e atacou diretamente o candidato à presidência Flávio Bolsonaro e associá-lo a casos de corrupção em investigação. Nota 4



